No sudoeste da Amazônia
brasileira, onde o majestoso rio
Madeira, um dos maiores da bacia
amazônica e do mundo, faz a
divisa natural entre as terras
do Brasil e da Bolívia, uma
gente audaz e valente, sem medo
do trabalho, fez crescer um
Estado próspero e generoso,
sempre aberto a acolher aos que
ali chegam para tornar-se um
deles. Essa terra, que por quase
quatro séculos manteve-se
praticamente intacta aos
conquistadores, tornou-se, já
nos anos de 1970, o Eldorado
brasileiro, a verdadeira "terra
prometida" para mais de um
milhão de migrantes de todas as
partes que ali encontraram o seu
destino.
Essa é
Rondônia, a segunda mais nova unidade da federação brasileira, terceira
maior economia da região Norte e o maior potencial de crescimento de todo o
Brasil atualmente, graças a um mega projeto de desenvolvimento sustentável e
integração nacional da região, batizado de Complexo do Rio Madeira.
Complexo
do Rio Madeira
Ambicioso e
multifacetado, o Complexo do Rio Madeira visa o aproveitamento da capacidade
do Madeira para geração de eletricidade e navegação para suprir o aumento da
demanda de energia no Brasil na próxima década. Visa, também, integrar a
infra-estrutura energética e de transporte Brasil/Bolívia/Peru, estendendo a
navegabilidade da hidrovia do rio Madeira dos atuais 1.056km (de Porto Velho
até Itacoatiara, no Amazonas) para 4.225 Km, até o território peruano, com
saída certa para o oceano Pacífico. Na prática, isso representa uma
considerável redução das distâncias e dos custos para o escoamento de
produtos nacionais, principalmente do agronegócio, tornando o Brasil mais
competitivo internacionalmente, sobretudo no mercado asiático e da costa
oeste americana.
O pilar
básico do projeto está nas duas usinas hidrelétricas que estão sendo
construídas no rio Madeira, consideradas o carro chefe do segmento de
geração de energia do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo
Federal - a de Santo Antônio, com uma capacidade instalada de 3.150
megawatts e a de Jirau com 3.450 megawatts, perfazendo um total de 6600
megawatts, 6,6% da capacidade instalada de geração de energia elétrica no
Brasil hoje, que é da ordem de 100.000 MW. As usinas do Madeira serão o 3º
maior pólo de geração de energia hidrelétrica do País, atrás apenas de
Itaipu (14.000 MW) e Tucuruí (8.340 MW), porém com índice de eficiência
energética (MW por km2 de área inundada) superior a estas.
Regionalmente, as usinas tirarão da dependência da energia térmica os
Estados de Rondônia e Acre, que utilizam, majoritariamente, o óleo diesel
(mais caro e poluente) em suas matrizes energéticas. O investimento total
previsto é de R$ 13,5 bilhões para Santo Antônio e R$ 8,7 bilhões para
Jirau, o que representa quase o dobro do Produto Interno Bruto (PIB) do
Estado de Rondônia.
Além de
pesados investimentos federais em infra-estrutura no Estado, as obras,
também, estão atraindo muitas empresas, de vários portes e segmentos, e
estimulando, assim, a criação de novos empregos com o desenvolvimento
industrial e comercial da região. Só nos canteiros de obras de Santo Antônio
e Jirau foram abertos 20 mil postos de trabalho. Para cada emprego criado,
os especialistas avaliam que surgirão outros três em forma de serviços. As
estimativas são de que nos próximos dez anos só a cidade de Porto Velho,
hoje com pouco mais de 380 mil habitantes, receba 100 mil novos moradores,
atraídos pelas mudanças econômicas estimuladas pela construção das
hidrelétricas.
A Usina
Hidrelétrica de Jirau
Localizada na
Ilha do Padre, no Rio Madeira, cerca de 136km do centro urbano de Porto
Velho, mas ainda dentro do município, Jirau é hoje uma das maiores obras de
engenharia em construção no mundo, e está a cargo do consórcio "ESBR -
Energia Sustentável do Brasil", formado pelas empresas Suez Energy
(50.1%), Eletrosul (20%), Chesf (20%) e Camargo Corrêa (9,9%).
A
hidrelétrica com barramento contínuo contará com duas casas de força, uma em
cada margem do rio. A primeira possui 28 unidades geradoras, do tipo bulbo,
acoplada à tomada d'água, localizada no braço direito do rio. Na margem
esquerda, localizam-se mais 18 unidades geradoras, também do tipo bulbo,
tendo como vértice a extremidade sul da Ilha do Padre.
A barragem
principal, tipo enrocamento com núcleo argiloso, está disposta segundo um
eixo retilíneo ligando a extremidade sul da ilha do Padre à parede direita
da casa de força 2, na margem esquerda. A área do reservatório será variável
e terá 302,6 km², em seu nível d'água máximo normal, com área inundada
variando entre 31 km² e 108 km².
Verdadeiro
desafio à capacidade técnica da engenharia nacional, tudo que se refere à
construção da usina de Jirau tem números grandiosos. Para se ter uma
idéia, serão utilizados em torno de 14, 8 milhões sacas de 50 kg de cimento,
146 mil toneladas de aço para as armações e cerca de 2, 8 milhões de metros
cúbicos de concreto. Só a barragem de enrocamento consumirá mais de 1 milhão
de m³ de rochas e argila. A casa de força, onde serão instaladas 46 unidades
geradoras (turbinas tipo bulbo), tem volume de concreto estimado em mais de
980 mil m³. Para construir tudo isso, foram contratados 10 mil trabalhadores
diretos, oito mil deles alojados dentro do próprio canteiro de obras da
usina.
Quando as
obras da hidrelétrica de Jirau estiverem concluídas, o Estado de Rondônia
receberá algo em torno de R$ 50 milhões/ano pelos royalties da energia
gerada pelas águas do rio Madeira. Além disso, quando entrar em operação, a
energia gerada pela UHE Jirau será inserida no Sistema Interligado Nacional
(SIN), formando a maior Linha de Transmissão (LT) do mundo - subestação
coletora e linha de transmissão Porto Velho – Araraquara/SP, com extensão
total aproximada de 2,3 mil quilômetros.
Mega-cozinhas com equipamentos ELVI
Para
alimentar tanta gente, foram construídas duas cozinhas de grande porte, uma
na margem direita, outra na margem esquerda do rio. Para a da margem
direita, concluída em meados do segundo semestre de 2008, contando com toda
a parte de produção, estocagem e refeitório, a ELVI forneceu grande parte
dos equipamentos – mesas lisas, mesas com cuba, estantes, prateleiras,
fogões, chapas quentes, área de higienização com esteiras motorizadas e
planos em geral. Todo material fabricado em aço inox 304, seguindo as
especificações observadas nas normas de cozinhas industriais, bem como pelos
principais e renomados projetistas do segmento. Na margem direita, a
capacidade de produção da cozinha é de nove mil refeições/turno.
Para a
estrutura da margem esquerda, agora em 2010, a ELVI forneceu três Ilhas
completas de distribuição (Balcão térmico resistência a seco, Pista
Refrigerada, Balcão de apoio de pratos e talheres, Balcão de apoio dos
sachês), que foram instaladas no Refeitório “Gauchinho”, como é chamado na
obra em homenagem a um antigo colaborador. Esse refeitório foi construído
com um conceito diferenciado - sua estrutura é fechada (teto e paredes
laterais) atrás de uma lona anti-térmica e seu ambiente é totalmente
climatizado (sistema carpa). A cozinha da margem esquerda, que funcionará
como cozinha de apoio de cocção, recebendo a comida base já pronta do
Refeitório Pioneiro da margem direita para ser finalizada ali, contará com
cinco câmaras frigoríficas da ELVI. Sua capacidade de produção será de três
mil refeições/ turno. No total, as cozinhas das duas margens da Usina do
Jirau produzirão 36 mil refeições/dia.
Esdras
Marcio, supervisor comercial da ELVI na região Norte, e responsável pelo
atendimento à Construtora Camargo Correa, afirma que "a assessoria e apoio
pós venda dado pela nossa empresa foram fundamentais não só para o sucesso
das negociações como para o resultado em si das cozinhas, das quais, com
certeza, podemos nos orgulhar".
Sérgio Frota,
gerente comercial da ELVI, explica que os negócios com a Usina de Jirau,
assim como outros grandes empreendimentos dos quais a empresa tem
participado, são resultado direto de uma estruturação interna voltada
especificamente para esse segmento de obras de grande porte, que exigem não
só equipamentos muito específicos, de alta tecnologia e qualidade, como,
também, um atendimento técnico altamente personalizado. "Projetos dessa
envergadura exigem cuidados especiais e estruturas proporcionais. Ao longo
dos últimos anos, a ELVI investiu pesado para poder satisfazer as exigências
desse mercado, montando toda uma logística tanto de atendimento, quanto de
produção e transporte que tem se mostrado vencedora", diz ele.
"O Norte é um
dos focos principais da nossa estratégia de crescimento e é com muito
orgulho que vemos o nome da ELVI associado a um projeto como o da Usina de
Jirau, marco decisivo para o desenvolvimento sustentado dessa região tão
significativa do Brasil e para nós", comemora José Sola, presidente da
empresa.